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Insights do livro "Adams Óbvio"

Foto do escritor: Fran MateusFran Mateus
O conto publicitário que ensina como a objetividade pode gerar lucro.
O conto publicitário que ensina como a objetividade pode gerar lucro.

Ser objetivo na venda de ideias, produtos ou serviços pode parecer um ato simples, mas que nem sempre é fácil. Esse também era o pensamento de James Oswald, o dono da maior agência de publicidade dos Estados Unidos, a (fictícia) Oswald Advertising Agency, quando citou o motivo de ter dado uma chance para um rapaz chamado O. B. Adams, visto que ele parecia não ter as qualificações necessárias para trabalhar no ambicioso universo da publicidade. No entanto, a obviedade do jovem chamou-lhe a atenção:


"Quantas pessoas são capazes de perceber e fazer o óbvio? E quantas têm persistência suficiente para levar adiante as suas ideias a respeito do que é óbvio?" (James Oswald)


O. B. Adams, conhecido como Adams Óbvio no meio publicitário, é o personagem principal dessa pequena história sobre a conquista do sucesso seguindo passos objetivos. Ele nasceu pobre e não demorou para se tornar órfão também. No entanto, a sua origem humilde e financeiramente limitadora não o impediu de estudar de forma consistente e direcionada para atingir o seu objetivo de progredir profissionalmente, o que o levou a tornar-se o vice-presidente da Oswald Advertising e uma das lendas da publicidade norte-americana. Para Adams, praticar o óbvio sempre foi a coisa certa a fazer e ele acreditava não estar sozinho:


"Estude a maioria dos homens que ganham mais de 100 mil dólares por ano. Quase todos eles são praticantes do óbvio." (Adams Óbvio)


Seguindo a sua filosofia, Adams ajudou grandes empresas a resolverem os seus problemas, voltarem a vender e serem lucrativas. Para entender como ele fez isso, aqui estão alguns insights retirados do conto publicitário Adams Óbvio: como obter sucesso incomum na vida profissional, de autoria de Robert R. Updegraff e publicado, em 1916, pela Harpers & Brothers (e em 2015, pela Faro Editorial).


Praticando o óbvio:

  1. A primeira ação óbvia de Adams era tentar descobrir o problema a ser solucionado, sem se desviar dos fatos. Para isso, ele entrava num intenso modo de pesquisa: parte teórica, parte em campo.

  2. Uma vez descoberto o problema, Adams gastava um certo tempo pensando em como resolvê-lo. No conto, ele explica que entender o óbvio pressupõe análise racional da situação e que muita gente falha nesta etapa porque, para essas pessoas, pensar é o mais difícil dos trabalhos.

  3. Quando a situação estava clara em sua mente, Adams descobria a coisa certa a fazer, lidava com ela diretamente e sem alarde e, simplesmente, fazia o que tinha que ser feito com muito bom senso.

  4. No processo de comunicação com o consumidor final, Adams não era engraçado, mas tinha talento para ver os pontos essenciais das coisas e expressá-los com clareza. As suas perguntas-chave eram "A quem você quer impressionar?" e "Com quem quer se comunicar?"

  5. Respondidas as perguntas acima, Adams adaptava suas mensagens às necessidades dos consumidores. Em muitos casos, embalando-as com histórias interessantes e dramáticas para deixá-las mais claras e atraentes.

  6. Adams sempre revisava o seu trabalho e, com a ajuda de gente melhor do que ele nessa tarefa, fazia os polimentos necessários para entregar a melhor campanha possível ao seu cliente.

  7. Esse advogado do óbvio também defendia o poder da consistência. Para Adams, se uma marca queria ser lembrada e escolhida, ela deveria apresentar, periodicamente, os seus produtos ao seu público.


A necessidade de novos mercados

Um comentário de Adams me fez lembrar da teoria por trás de um livro bem mais recente: A Estratégia do Oceano Azul (Sextante, 2019). A teoria de que as empresas precisam encontrar novos usuários para os seus produtos para poderem navegar em mares distantes dos da concorrência. Confira as palavras do publicitário citando o exemplo da ópera:


"Um dia, acredito que verei o fim da falta de publicidade na ópera; eles vão parar de promover as estrelas e promover os espetáculos. Farão o óbvio e anunciarão a ópera para as pessoas que, no momento, não vão à ópera. Com isso, as plateias ficarão cheias e a ópera dará lucro, como deve ser. Seus organizadores entenderão que a ópera é um problema de mercado legítimo, como os hoteis, os livros e os navios e que responderá a métodos mercadológicos e publicitários legítimos." (Adams Óbvio)


Agora, troque a ópera pelo produto que você quiser. A ideia será a mesma. Encontrar novos públicos para o seu produto e, dessa forma, voltar a vender bem e tornar a sua empresa rentável.


Resumindo:

Em pleno ano de 2025, esses insights publicados há um século podem parecer óbvios, não é? Mas, quem realmente se lembra de praticá-los quando vai criar algo para o seu cliente? Na época do nosso heroi, muitos profissionais preferiam criar campanhas audaciosas, mesmo que a mensagem não fosse tão clara para o cliente final; eles faziam isso para mostrarem aos seus pares e a sua indústria o quanto eram criativos, ousados e divertidos. Ser tudo isso é fantástico, desde que não esqueçamos daquela pergunta essencial: "A quem queremos impressionar?" Muitas vezes, como Adams bem pontuou, o nosso público só quer mesmo o óbvio.

 

O texto de Adams Óbvio encontra-se em domínio público e pode ser lido, na íntegra e em inglês, acessando o site da Open Library


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